cada coisa em seu indevido lugar

"viver não é sobreviver". essa famosa frase parece ser quase vazia de significado ao mesmo tempo em que traduz o que há de mais essencial na vida. ela fala sobre aceitar nada menos que a potência de vida, tarefa dura para os pequenos mortais, guerreiros da rotina e da vida séria.

Adam Frezzi e Terri Chiao formam uma dupla de artistas que vive uma missão maior: levar a vida na brincadeira. fazendo arte, brincam no dia-a-dia usando elementos que qualquer um teria à disposição: papel, canetas, cola. a inspiração também parte das cenas mais banais de nossas rotinas, como tomar café da manhã, molhar as plantas, comemorar as férias. com as cores vivas e os traços que parecem saídos de um desenho infantil ou do mundo de Alice no país das maravilhas, eles criam micro-habitats para tentar, como dizem, controlar com beleza um mundo que poderia ser selvagem.

em outro projeto, são pedras que figuram no meio de uma refeição, talvez para nos lembrar de celebrar os pequenos rituais de cada dia com mais leveza e cor.

trabalhos assim nos contam que a vida sem brincar, sem tirar as coisas do lugar, é somente um sobreviver. ou mais que isso, que queremos mais. somos mais. quando nos concentramos em sobreviver (cumprir com o que precisamos, pagar as contas, alcançar as metas, não sair da linha), talvez o que estamos perdendo é a vida mesmo. ela, que poderia ser uma obra de arte, se levada na brincadeira.

eu preferia não! se preciso for, coloque os monumentos coloridos no meio de cada cena automática e repetitiva, tirando as coisas de seus indevidos lugares. a brincadeira pode fazer lembrar que a vida tá aí, do lado de dentro de nós mesmos, na xícara de café, dentro do chuveiro.

* as imagens foram retiradas do site dos artistas: http://www.eternitystew.com/

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