quando o simples é mais difícil

quando decidimos fazer brinquedos, um dos primeiros projetos que surgiu foi o tangram circular. nós não tínhamos muita experiência com marcenaria, então concluímos que esse seria um projeto simples, um bom ponto de partida. foi o segundo projeto da Gandaiá que ficou pronto.

o que ainda nós não sabíamos totalmente é que o tangram, apesar de parecer simples, tem um destino desafiador! ele não é um brinquedo fácil (no bom sentido!) e nos deparamos com isso diariamente. primeiro, porque traz em si um dos nossos maiores objetivos: é um objeto de brincar cheio de possibilidades, que trabalha a imaginação e a criatividade. e apesar de ser muito legal ter isso como ideal, quase ninguém está acostumado a se deparar com todas as possibilidades e nenhum manual. até o lego, o brinquedo mais querido de tantas gerações, hoje vem com passo a passo em suas diversas versões.

a própria versão clássica do tangram é usualmente jogada com um livreto cheio de figuras, em que o desafio é conseguir, usando as peças disponíveis, reproduzir uma a uma. por isso, ele é conhecido não como um brinquedo, mas como um quebra-cabeça. nós não quisemos que fosse assim e por isso não criamos a princípio um livreto de "respostas", apesar de estarmos colocando no instagram, com a hashtag #crieicomtangram, alguns dos resultados que estamos encontrando. achamos que isso pode inspirar a criatividade e que é bacana dividir com os outros cada coisa que inventamos, mas de forma alguma gostaríamos que não fosse possível brincar sem ter as imagens para seguir.

a primeira vez que eu peguei nas mãos um tangram circular da Gandaiá, confesso, fui ver nos desenhos de onde partimos os modelos para poder recriar. depois me envergonhei disso. como assim? porque não imaginei eu mesma uma figura para chamar de minha? de lá para cá fiquei pensando sobre isso e a principal conclusão a que cheguei foi que criar dói. dói no sentido de que mexe dentro da gente, nos obriga a colocar algo só nosso para fora, dividir com o mundo. isso não é fácil. mas... a boa notícia é que melhora com a prática e o processo é delicioso de experimentar. e até viciante!

foi assim comigo. depois do apagão inicial, fui me soltando. e peça para cá, peça para lá, me vi brincando e rebrincando muitas vezes com o tangram circular, me vi esquecendo do tempo, me vi criando!

imagem: A caricature published in France in 1818, author unknown.

Recent Posts
Archive
  • White Facebook Icon
  • White Pinterest Icon
  • White Instagram Icon