uma história dos brinquedos

é bem verdade que desde que existem crianças, existem brinquedos. mas quando foi que eles começaram a ser fabricados e vendidos com a única finalidade de entreterem crianças? Pelo menos no mundo ocidental, parece que tudo começou na Alemanha, até hoje um paraíso dos mais belos brinquedos.

aqueles antigos soldadinhos de chumbo foram criados na cidade de Nuremberg, e de Munique saiu a mais antiga casa de bonecas de que se tem notícias. essas informações e mais outras que vou contar estão em um livrinho um tanto improvável: "Reflexões sobre a criança, o brinquedo e a educação". improvável pelo seu autor, Walter Benjamin, daqueles gênios que acumulam dezenas de especialidades – filósofo, ensaísta, sociólogo, etc. eu o conheci durante a faculdade, e para mim estava muito ligado a sua biografia como judeu que viveu durante o nazismo, e não conseguiu escapar, deixando uma obra importantíssima. foi uma surpresa encontrar esse livrinho de ensaios sobre o tema do brincar.

um deles, “história cultural do brincar”, conta que as peças mais antigas feitas para serem de fatos usadas como brinquedos eram sempre produtos secundários das diversas manufaturas. assim, o marceneiro talhava animais de madeira durante suas horas vagas, enquanto o confeiteiro fazia figuras doces e comestíveis e o fabricante de vela produzia bonecos de cera.

aos poucos, esse universo também se rende à industrialização e os brinquedos se tornam maiores e, segundo o autor, “vão perdendo aos poucos o elemento discreto, minúsculo, sonhador.” parece que é nesse momento que o brinquedo deixa de ser algo de uso íntimo compartilhado entre pais e filhos, e passa a substituir a relação, propiciando que as crianças brinquem sozinhas enquanto os pais trabalham.

“quanto mais a industrialização avança, tanto mais decididamente o brinquedos se subtrais ao controle da família, tornando-se cada vez mais estranho não só às crianças, mas também aos pais.” esse caminho tortuoso de fato aconteceu, mas atualmente – oxalá! – vejo uma forte onda caminhando em sentido oposto. temos aprendido a valorizar o brincar, escolhendo novamente os brinquedos com propostas mais imaginativas, valorizando a infância e fazendo de tudo para preservá-la. do ponto de vista da criança, a magia do brincar nunca deixou de existir; já os adultos, ainda têm muito o que aprender para não atrapalhar essa história.

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para ler mais: “Reflexões sobre a criança, o brinquedo e a educação”, Walter Benjamin. Editora 34.

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